Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Chamem-lhe o que quiserem

 

Em 1970, o septeto Miles Davis Electric tocou no Festival da Isle of Wight em frente de 600.000 pessoas. Ontem vi e ouvi o concerto na integra, incluído num documentário com depoimentos actuais dos músicos.

 

Trata-se de uma única peça contínua de 38 minutos Quando lhe perguntaram o nome da canção, Miles respondeu "call it what you like". Aquilo também já não era jazz, era outra cena, era o que se quisesse. Mas todos os membros do septeto, todos sem excepção, são hoje lendas vivas do jazz: Keith Jarrett, Chick Corea, Dave Holland, Gary Bartz, Airto Moreira and Jack DeJohnette. E todos estavam naquela tarde com uma valente broa nos cornos. Vejam a transe de Keith Jarret no minuto 4:20 e a cara de parvo de Airto Moreira durante toda a jam. O próprio Airto reconhece, a meio da entrevista, a sua surpresa por se lembrar hoje de alguma coisa do que tocou, de tão fora que estava nesse concerto.

 

 

 

E, investigando um pouco, fiquei a saber da vontade partilhada por Miles Davis e Jimi Hendrix de tocarem juntos:

 

"In August 1970 I played the Isle of Wight concert in England . . . people came from all over the world to that concert: they said they had over 350,000 people. I had never seen that many people out in front of me before."

 

"Jimi Hendrix was there, too. He and I were supposed to get together in London after the concert to talk about an album we had finally decided to do together. . . . Now the roads were so crowded coming back into London after that concert that we couldn't get to the meeting on time, and so by the time we got into London, Jimi wasn't there."

 

and back in New York with Gil Evans:

  

"Gil Evans called and told me that he and Jimi were going to get together and he wanted me to come down and participate. We were waiting for Jimi to come when we found out he had died in London . . ."

 

sinto-me: um preto estiloso
publicado por O Escravisauro às 12:01
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Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2007

Reacção

Gostei muito deste post. Tenho uma simpatia grande pelos reaccionários do jazz. Mas gosto mais dos que têm coragem de parar logo antes do Charlie Parker. Parar no free já acho diferente. Mas também acho sinal de desistência. É que o passado é tão filtrado e já passou por tanta gente que a papa está toda feita. Desbravar o que é de hoje (e dizer, por exemplo, que os Yo la Tengo vão mais longe que Bach) é que é mesmo difícil. É erro atrás de erro atrás de erro até que descobrimos alguém mesmo bom. E esse fomos nós, ninguém nos tira.

Viva o Atlético!
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publicado por Sérgio às 02:07
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Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006

O Swing da Raposa

Alcântara é a musa deste blog, ou melhor dito, este blog nem existia sem Alcântara. Mas orgulho é ver que a terra do 'ex' por excelência - tem uma ex-tapada de caça, ex-fábrica da Regina, ex-FIL, ex-faculdade, ex-Hospitais Ultramarinos - teve sempre gente visionária, ainda que eventualmente por engano. Através do blog jnpdi descobri um pedaço de crónica do Aquilino Ribeiro, em 1926, para o semanário A Ilustração:

O jazz band costumava oferecer-se em espectáculo na feira de Alcântara, numa barraca de ripas e lona, miserável, rudimentar e cachaceiro. (...) Ninguém que se prezasse se dava ao desenfado de ir ouvir a música bárbara dos pretalhões e seus saracoteios obscenos. Não porque fosse interdita ao pudor; mas porque era apenas uma diversão sem graça nenhuma.

É de registar que, apesar do juízo de valor, o Aquilino até parecia saber o que era o jazz. No tempo dele não sei, mas hoje uma barraca de ripas e lona, e um espectáculo cachaceiro (bonito...), com a música bárbara dos pretalhões não me parece nada mal. Aparentemente Lisboa não recebeu tão bem o jazz como Paris, mas fico com o consolo que a Romaria de Santo Amaro em Alcântara fez o que pôde.
publicado por Sérgio às 09:38
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Sexta-feira, 24 de Novembro de 2006

De Bowlywood para New Orleans


publicado por Sérgio às 03:54
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Terça-feira, 3 de Outubro de 2006

Brancos, Negros, etc.

Através do Glória Fácil dei com um interessante bater do pé à unanimidade do Chico Buarque, por parte do Agreste Avena:

Quando digo musicalmente branco, por oposição a negro, estou a pensar naquilo que distingue a música europeia (branca) da música africana ou mestiça com influência africana (negra). A música europeia popular ou a dita erudita (pelo menos até Wagner, que depois de Schönberg é o desastre) é essencialmente a melodia com uma propensão irritante para a tonalidade. Já a música africana é feita de harmonias e ritmos, mesmo nas suas formas mais básicas a música negra é na sua essência muito mais complexa do que a branca, por mais que esta tente disfarçar com orquestrações elaboradas (só possíveis graças à simplicidade intrínseca da música europeia).

Não vale a pena ir por todo o post adentro, embora seja agradável. Mas pôr o Chico Buarque no branco só por ser um académico, e obessivo e por não gostar de estar em palcos e tudo, parece-me excessivo. O Chico Buarque é um daqueles humoristas que retiram os tiques às pessoas. É mimético com mulheres, negros, brasileiros, europeus, brancos, Pixinguinhas, Tom Jobins, argentinos, paulistas, cariocas, baianos, etc. É um curioso e estudou muito sozinho.

Mas o que me indigna neste bocadinho, agora que já defendi a unanimidade do Chico Buarque, é a injustiça com a música europeia e a confusão com a africana. Sobretudo eu, que fui mais do que uma vez injusto com os europeus, aqui mesmo no blog. Mas não podemos vir dizer que a música europeia se resume a melodia. Até porque acho que a melodia está vergonhasamente por explorar, seja em que mundo for. Mas a harmonia (perdoem o eurocentrismo) é nossa. Se há quem tenha levado a harmonia aos limites foram os europeus. De tal modo que nem pensaram em mais nada. Duvido que se encontre formas mais do que rudimentares de harmonia na música africana, se é que existe de todo (excluindo os árabes). Penso que é até de um magnífico equilíbrio os africanos terem levado o Ritmo onde levaram e os europeus a Harmonia. A melodia, num e noutro caso não a encontro espectacular.

Claro que se por música negra começarmos a entender o jazz e a bossa, então sim, a harmonia está muito desenvolvida. Mas está desenvolvida porque partiram do ponto onde os europeus a deixaram. A cada um o que é de cada um. A palavra erudita não pode ser sinónimo de música com menos mérito que a espontânea (coisa que nem existe!). Mas talvez seja isso que o Chico Buarque tem de branco. Levar a erudição e até o pedantismo à música popular. Não vejo como pode a música popular perder algo com isto.

Pode ser que com sorte o Escravisauro vos explique tudo isto tintin por tintin e ainda faça as devidas ressalvas às minhas imprecisões. Verão aí que até tenho razão.
publicado por Sérgio às 01:40
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