Quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Insónia

O meu amigo Sérgio, rapaz talentoso para estas coisas de blogs e outras coisas melhores ainda, tratou (no sentido de fazer um tratado) no outro dia da questão da ressaca com inigualável mestria. Argumentou ele, com toda a razão, de que o maior consolo da ressca é termos a certeza de que ela vai passar. Pois com a insónia acontece coisa parecida, mas um pouco mais cruel: sabemos que iremos ter sono, mas temos a certeza de que será tarde demais para um acordar descansado. Descrente de contar ovelhas e respectivos pastores sodomitas, deu-me para meditar, coisa tão parva como inútil.

E que melhor como soporífero do que a política doméstica, pensei eu. O tom aqui é leviano e boçal, mas o cidadão eleitor que vos escreve concluiu, tarde demais dirão vozes mais avisadas, que não há, absolutamente, nenhum partido em quem votar nas próximas legislativas. Excluídos, por insanável conflito biliar, o CDS que afinal é PP, mas que há de continuar CDS nos boletins, e essa amálgama de carreiristas empedernidos do PSD, que pelos vistos ainda é PPD, liderados por uma senhora que ganha votos na exacta proporção em que permance calada, resta-me a "esquerda", onde eu costumava dizer que me integrava. Pois o PS e mais o seu líder messiânico conseguiram fazer tanta merda em tão pouco tempo que tornam impossível qualquer voto naquela rapaziada que ainda considera que governar ao sabor do vento e ignorar ostensivamente qualquer sinal de descontentamento são argumentos suficientes para se ganhar eleições. Quanto ao PCP, meus caros, cheguei ao fim da linha. Não posso votar num partido que, cada vez que se pronuncia sobre o que se passa no mundo, faz tremer qualquer cidadão que leia mais do que o horóscopo publicado nos jornais. E depois vem a malta moderna do BE, que no fundo é gente tão ou mais demagoga que os do CDS. Basta-lhes defender precisamente o contrário destes com a mesma insana ferocidade. O Dr. Francisco acredita mesmo que o país se salva conduzindo à forca todo e qualquer banqueiro ou empresário e que havemos nós de fazer perante tão construtivo pensamento...

Portanto, resumindo o que não tem resumo, se depender de mim e do voto nulo que vou preparando, este país mergulhará na anarquia. Movido por esta ideia peregrina, fui à pesquisa de imagens do google inserir o termo "anarchy". O primeiro resultado é o que ilustra esta posta. Não é brilhante pois não? E o sono, nem vê-lo.

 

publicado por Proletário às 03:09
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