Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Os níveis de cloro claramente ainda não baixaram e estão-me a provocar insónias

Uma das coisas que trouxe do Irão em Dezembro passado foi a certeza de que aqueles persas acham - acham mesmo, os sacanas - que inventaram tudo. Vá, quase tudo. Nos discursos oficiais a que assisti durante os primeiros cinco dias da minha viagem, e foram uma data deles, ouvi dezenas de vezes as expressões "berço de civilização", "fonte de cultura", "origem do saber", "contributo fundamental para a filosofia ocidental" e cenas destas por aí fora.

 

Mas, peço imenso desculpa, meus caros amigos arianinhos de gema, houve uma coisa que vocês demoraram a lá chegar. A verdade é que 40 anos - quarenta - antes de vocês se lembrarem do Mir Moussavi nós já tiveramos o Humberto Delgado. Um bocado lentinhos, os meninos, só talvez... Parece que a figura do tipo que vem do interior do regime, alimentando interiormente uma tendência reformista mas ocultando-a o suficiente para ser aceite como candidato a umas eleições pretensamente democráticas onde ninguém que apresente uma razoável  probabilidade de causar mossa ao statu quo é admitido na corrida e depois, ao longo da campanha, vai-se revelando mais e mais reformista e menos e menos alinhado ao ponto de causar calafrios na espinha do género ai-se-o-cabrão-ganha-esta-merda-estamos-todos-fodidos aos homens das botas ou dos turbantes que se vêm obrigados a recorrer a medidas de emergência e de última hora como, por mero exemplo, gigantescas fraudes eleitorais para salvar os escrotos e os tachos, fomos nós, portugueses, nascidos e criados aqui no bairro, que inventámos, não? Ah, pois é. Tomai lá que já haveis almoçado!

 

O Zaratustra, o Xerxes, o Mani, o Omar Khayyam, o Hafez, o Nader Shah, todos juntos, à porrada, não chegavam para o nosso Humberto. E, mesmo assim, este terminou os seus dias com um tiro nos cornos ali para os lados de Badajoz.

 

Bom, isto para dizer que estou pessimista em relação ao desenrolar dos acontecimentos.

 

Há dias recebi um email de lá. Não dizia muito. Era mais o que não dizia. Ou deixava intuir: "lines are controlled, may the mail i am writing to you! who knows?!"

 

 

sinto-me: capaz de ir para a cama agora
publicado por O Escravisauro às 02:09
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