Domingo, 2 de Março de 2008

Pelo Photoshop.

Por várias vezes, alguém que andou a cuscar a minha galeria me pergunta por técnicas utilizadas, aberturas de lente e se a Nikon ou a Canon é que é. Costumo responder que da máquina apenas quero uma boa lente e um sensor limpo, que o Photoshop trata do resto. Seguem-se as acusações de manipulador a realidade, à boa velha escola estalinista.
Pois serve o presente em primeira análise para limpar as calúnias. Em segunda para falar um pouco das técnicas e efeitos que lá fui aprendendo. Por hoje fico-me no preto e branco, pois sempre tive curiosidade quando vejo uma foto a preto e branco que gosto, de saber como seriam as cores daquela situação.

Nas quatro fotos que se segue, para ver o original basta colocar o cursor do rato sobre a pretendida. O Antes e o depois tornam-se assim evidentes.


Plantações de chá em Munnar, Índia
Nesta paisagem acabei por escolher o fotograma que estava mais escuro, porque estava a fotografar em contraluz e dá para recuperar mais informação das zonas escuras. Nos outros fotogramas, o céu estava explodido, aparecendo todo branco. É esse o motivo porque algumas máquinas fotográficas mostram as zonas brancas das fotos a piscar.


Pescador em Cochim, Índia

Aqui procurei realçar a expressão do pescador. O corvo que aparece em segundo plano é mais evidente no original, mas ao escurecer distrai menos, o que leva a que olhemos mais para a expressão.


Autocarro atolado em Thekkady, Índia
Aqui o photoshop faz maravilhas, ao recuperar uma zona que estava completamente escura e sub-exposta. Seria uma foto banal sem dar um pouco de tratamento na expressão.


Lexington Avenue, Nova Iorque

Finalmente, temos o photoshop a endireitar a foto - já somos dois cá no blog que andam tortos - e o preto e branco esconde os sinais vermelhos que distraiem. O contraste entre a neve e a cidade também funciona melhor quando não há a cor a distrair.
Todas fotos © João Pedro Gonçalves.

publicado por joaovelhote às 18:32
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27 comentários:
De jonasnuts a 2 de Março de 2008 às 21:54
Já reduzias era o tamanho das fotos para não colidir com a barra lateral, não?

Já para não falar de quem lê o Pitau usando o IE, que não deve, sequer, ver a barra lateral, que é empurrada lá para os confins.
De joaovelhote a 2 de Março de 2008 às 23:13
Num post sobre fotografia em que falo sobre técnica, não vou reduzir o tamanho das mesmas. Já está num formato sensato, 650 pixels. O mais certo é alterar o template para permitir isto, não? Os monitores de 22 polegadas já esticam além destas barrinhas cinzentas.
De jonasnuts a 2 de Março de 2008 às 23:16
Alarga o template, então.

:)
De joaovelhote a 2 de Março de 2008 às 23:32
Está feito.
De jonasnuts a 2 de Março de 2008 às 23:36
Yeap.

Melhor agora :)
De joaovelhote a 2 de Março de 2008 às 23:43
Nesta casa fazemos a moldura à medida do freguês, não o freguês à medida da moldura :P
De pedrocs a 3 de Março de 2008 às 08:52
Strong are you with the photoshop, yeeeessss...
De Anónimo a 3 de Março de 2008 às 20:16
acompanho este blog à algum tempo, e adorei este post, queria deixar aqui os meus parabéns.

PS: já agora onde posso descarregar "photoshop" gratuitamente.

http://depoisdosolposto.blogs.sapo.pt/

Rui Teixeira
De stevs a 3 de Março de 2008 às 21:59
Um post muito giro, que exprime uma grande noção de arte. A foto que mais gostei foi a do pescador de Cochim, pois é verdade que o jogo de preto e branco realça enormemente a expressão do Homem!!!
Boa sorte e continua assim!!!!

http://pra_se_falar.blogs.sapo.pt/ (aproveita e dá uma visitinha!!!! :)
De David a 3 de Março de 2008 às 22:58
COm ou sem photoshop as fotos estão fantásticas!!!
De Tintim a 4 de Março de 2008 às 01:04
Começando pelo positivo.
Está pedagógico. O antes e o depois permite ver as modificações operadas e ter uma noção do que era a realidade quando a foto foi tirada. Como se estivéssemos lá e pudéssemos depois verificar o resultado do fotógrafo que estava a ver o mesmo que nós.
Os lugares / pessoas são muito bem apanhados. São exóticos. Principalmente a 3ª e a 4ª permitem-nos "sentir" o lugar muito para além de um autocarro e de uma avenida de New York. Remetem-nos para um lugar (em que nunca estive) da Indía mas tão igual a Malé ou outro lugar Indico.


Dito isto.
Não acredito em retratos a P/B em Photoshop.
Tentando explicar.
Conheço duas artes diferentes.
A de fotógrafo. E a de editor de imagem / designer.
Sou medíocre nas duas.
Mas quando vejo uma imagem manipulada em Photoshop não percebo se aquilo é resultado de um bom fotógrafo e médio manipulador, médio fotógrafo e bom manipulador, bom fotógrafo e bom manipulador, enfim...
Não defendo o P/B sobre película apenas por ser mais difícil (apesar de o amor, quando é mais difícil sabe melhor). Mas porque é mais puro.
Sim. Já sei. O trabalho de revelação é semelhante ao do Photoshop mas mais sujo. Não é bem assim.Não temos filtros â distância de um clique. Temos de os escolher, testar,enganar, voltar de novo e, provavelmente, voltar ao original.

Aqui (http://paulotrezentos.polo-sul.org/gallery/stomeportraits) tenho alguns retratos sobre película a p/b e revelados por mim.
Não tem a grande qualidade porque foram scanados.
Os modelos são muito bons, mas atrevo-me a dizer que com digital + photoshop o resultado final ficava mais artificial e não despertava tanto o sentimento de quem pega no álbum.

O velho do Restelo, reaccionário e Estalinista.



De pedrocs a 4 de Março de 2008 às 11:05
A arte está no Homem, não na máquina.

Tudo o resto são meras ferramentas.
De joaovelhote a 4 de Março de 2008 às 11:48
tintim, para mim a diferença entre o laboratório de filme e o laboratório digital é a mesma que entre a máquina de escrever e o Processador de texto com correcção ortográfica. A única coisa que faz é poupar tempo, a criatividade continua.

O importante é não nos deixarmos seduzir pela adulteração de fotografias, para mim o que quero é andar de máquina em riste a apanhar momentos decisivos.
De Eduardo a 5 de Março de 2008 às 16:44
Olá. É a discussão do costume. Já ouvi os argumentos dúzias de vezes e já pensei sobre isso trilhões de vezes. O fotógrafo do blog sabe disso :)

No fim do dia, acabo sempre com a mesma sensação. Está tudo a discutir coisas diferentes. É uma questão de expectativa e engano. Ninguém está realmente a falar de arte ou de beleza. De pureza ou manipulação. Estamos sim a falar de expectativas diferentes.

Eu habituei-me a olhar para uma fotografia fantástica e pensar: "como é possível que este fotógrafo tenha sido capaz de olhar em volta, reparar no detalhe, decidir o enquadramento, a exposição e disparar o obturador no momento certo!". Este factor tem um enorme peso na forma como olho a imagem. E quando vejo o original, vem o engano.

Outros porém, limitam-se a olhar para o resultado final e para o processo de o atingir. É o caso do fotógrafo do blog. Ele teve a arte de manipular uma imagem vulgar e de a transformar numa imagem que comove e mexe connosco. Isso é arte sem dúvida.

Dito isto, acho que é arte, mas não é fotografia. Daqui a 10 anos, quando o Velhote olhar a foto não vai recordar o que viu com os seus próprios olhos, nem o que sentiu quando esteve nesses lugares. Vai talvez recordar o processo da manipulação e apreciar o resultado final.

Fotografar continua a ser para mim capturar o instante de forma consciente. Por isso acho que o Timtim se sente enganado quando vê estas fotos. E critica o Velhote por o enganar. Mas o engano não é deliberado. A máquina fotográfica é o tal instrumento para obter imagens e matéria prima para a verdadeira arte que virá a seguir. É outra coisa qualquer. Não lhe chamem fotografia.

A prova disso é que em alguns dos casos, aposto que o Velhote nem estava a olhar pelo viewfinder. A máquina estava na sua mão e o dedo no obturador a disparar furiosamente.

Bottom line: estão a falar de coisas diferentes e de artes diferentes. Eu vou continuar a preferir a foto deliberada e pensada no momento do click. Isso é que é fotografia para mim. Mas vou certamente dar valor à manipulação digital que foi feita. E aposto que deu imenso trabalho, como acontece com as grandes obras de arte também. Mesmo que o modelo original tenha sido obtido por uma câmara descartável e fotografado acidentalmente por uma criança de 2 meses que queria era abocanhar a lente da máquina :)
De joaovelhote a 5 de Março de 2008 às 17:20
Para o senhor Poingg só tenho isto a dizer:

http://www.magazine.org/Editorial/40-40-covers/37d.jpg

Esta fotógrafa, chamada Koko, fez um auto-retrato que acabou na capa da National Geographic.

"É outra coisa qualquer. Não lhe chamem fotografia."

Conheço alguns pintores no séc. XIX que devem ter ouvido algo parecido.

Quanto a tirar muitas fotos, há fotografos profissionais que estão a utilizar câmaras HD para posteriormente escolherem o frame vídeo que mais lhes agrada. Um dia destes ainda ganha um world press photo, se é que já não ganhou e teve vergonha de dizer como fez. Não há nada contra. A realidade aconteceu, o fotógrafo estava lá.
Não é fotografia? Também é outra coisa qualquer?

Quanto à criancinha de dois anos, caso não tenhas reparado as fotos que coloquei não levaram qualquer crop. Já vi eventos com dezenas de fotógrafos e a tirarem milhares de fotos num só dia e no final, ao ver o trabalho produzido, quase que dá para saber quem fez cada foto.

Para mim, a fotografia está a viver momentos muito interessantes. Eu quero fazer parte deles, não quero andar a pregar que se chama outra coisa qualquer. Chamem-lhe o que quiserem.


De Eduardo a 5 de Março de 2008 às 19:36
Isto começa a ter piada. Que belo tiro no pé esse do "Quanto a tirar muitas fotos, há fotografos profissionais que estão a utilizar câmaras HD para posteriormente escolherem o frame vídeo que mais lhes agrada"

Se não distingues o video da fotografia, estamos conversados :)

Quanto à fotógrafa Koko, é outro tiro no pé. Desde quando é que a capa da NatGeo é sinónimo de consenso do que é fotografia?

A tua resposta só ajuda ao ponto que estou a querer marcar. Estamos a falar de artes completamente diferentes. Acho inútil insistir em chamar fotografia a isso que descreves. Não é de todo. Chama-lhe batata. Afinal de contas, este é o ano internacional da dita cuja.
De joaovelhote a 5 de Março de 2008 às 19:48
Inútil? A definição da palavra agora é tua? Tal como referi atrás, então não podemos chamar "pintura" a um Kadinsky, pelo menos não de acordo com os padrões do século XIX. A palavra evoluiu, tal como a fotografia está a evoluir agora. E todos estes exemplos que te dei, da Koko, de utilizar uma câmara VCS para fotografar são relevantes e podem entrar na história da fotografia.

Então o "Corpse Bride" é fotografia ou um filme? Foi feito com Máquinas fotográficas. A sequência é que chamamos de cinema, não é? Há filmes feitos a partir de sequências de fotogramas, tal como há fotografias que podem resultar de uma sequência de imagens. O Vídeo e a fotografia estão ligados. Não há uma fotografia "pura". A *única* coisa que aqui entra em minha opinião é a manipulação estalinista da fotografia, remover elementos que existiam ou não.
De Eduardo a 5 de Março de 2008 às 19:54
Portanto qualquer filme de animação é fotografia por se tratar de uma sequência de fotogramas. OMG...

Video e fotografia estão intimamente ligados sim. Mas reconheço-lhes as diferenças. Porque é que não atravessas os cojones e dizes que video e fotografia são absolutamente iguais ?

Assim ficávamos esclarecidos.
De joaovelhote a 5 de Março de 2008 às 20:01
Vídeo é uma sequência de imagens, fotografia é uma imagem apenas.

A forma de apresentar cada um é que é diferente.
Para ilustrar melhor.

Tiraste 500 fotos de seguida, a um ritmo de 10 por segundo.
Publicas um livro de 500 folhas, uma foto por folha. Cada folha é, em minha análise um fotograma, podes até tratá-lo individualmente.

Agora, pegas no livro e folheias rapidamente, causando a sensação de animação. A sequência que tiraste até conta uma história, o conjunto acrescenta algo a cada uma das partes.

São coisas bem distintas, não são? Parece-me simples.




De joaovelhote a 5 de Março de 2008 às 17:41
Ah, e quanto a lembrar-me do que senti, tal como descrevi no post, a exposição está *precisamente* como quis e trabalhei a máquina para dar os resultados que pretendo, tal como defendes. Na primeira paisagem, tenho uns vinte fotogramas, em que aquele é o que está a exposição melhor. O que deveria ter feito? Ter apostado tudo num só fotograma e se tivesse falhado, perdia a foto?
Vais levar comigo a chamar-te cota durante uma semana ou duas :).
De Eduardo a 5 de Março de 2008 às 19:46
A julgar pela exposição, escolheste o fotograma mais escuro para poderes trabalhar melhor o contraste.

É uma questão de mindset. E de novo, de expectativa e engano. Se tens coragem para me dizer que quando tiraste os 20 fotogramas já tinhas em vista o resultado final, levas com uma batata nos cornos 1 semana ou 2. That's so much bullshit :)

Cota era o Bresson que ficava a tarde toda à espera qual sniper até conseguir apanhar a criancinha a passar naquele foco de luz? E se fosse preciso, voltava lá no dia seguinte :P
De joaovelhote a 5 de Março de 2008 às 19:52
Calculas os milhares de fotos do Bresson que nunca puseste os olhos em cima?

O resultado final não sabia, se iria utilizar preto e branco ou não, não sei. Mas que estive lá uns vinte minutos para garantir que não explodia o céu, lá isso estava.

Mas eu ainda não percebi uma coisa. Do que é que não gostas, das minhas fotografias ou do meu photoshop? Da composição, da exposição?

Eu acho é que apanhaste uma desilusão quando viste as fotos originais. Mas também, quando foi a última vez que viste um fotograma original do Bresson? Sem levar com as máscaras e trabalho de laboratório feito e refeito vezes sem conta?


De Eduardo a 5 de Março de 2008 às 19:55
O meu caro.. Tu és dos que lê na diagonal.
Eu nunca disse que não gostava. Já te disse várias vezes que gosto e muito do resultado final.

A discussão era outra :)

Read up.
De joaovelhote a 5 de Março de 2008 às 21:08
Tá bem, só estou a insistir porque para ti isto não é "fotografia", ou seja se gostas é.. "outra coisa qualquer". Sounds odd.
De joaovelhote a 5 de Março de 2008 às 19:52
Calculas os milhares de fotos do Bresson que nunca puseste os olhos em cima?

O resultado final não sabia, se iria utilizar preto e branco ou não, não sei. Mas que estive lá uns vinte minutos para garantir que não explodia o céu, lá isso estava.

Mas eu ainda não percebi uma coisa. Do que é que não gostas, das minhas fotografias ou do meu photoshop? Da composição, da exposição?

Eu acho é que apanhaste uma desilusão quando viste as fotos originais. Mas também, quando foi a última vez que viste um fotograma original do Bresson? Sem levar com as máscaras e trabalho de laboratório feito e refeito vezes sem conta?


De Galeriacores a 4 de Março de 2008 às 02:25
Ora aqui está um excelente blog que tive aliás muito prazer em visitar. Aproveito também esta oportunidade para lhe dar os parabéns por ser destaque no SAPO. Bem haja!
De Umbelina a 14 de Março de 2008 às 03:37
Eu concordo completamente com o Poing , o que não quer dizer que não aprecie o seu trabalho.

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