Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

Traga o Seu Próprio Porco

A relativa carestia de abrir um bom vinho em Nova Iorque é compensada pelo bom hábito de aí se abrir muitas vezes um restaurante sem pagar extra pela “liquor selling license”. Temos assim os estabelecimentos Bring Your Own Wine que não julguem ser casas de pasto de segunda. A maioria tem óptimas cozinhas e quando se localizam estrategicamente próximo de wineshops a combinação é perfeita.
 
É o caso de um BYOW no bairro de Chelsea que frequentei bastas vezes, munindo-me sempre de um bom tinto na Garrafeira Pereira, dois quarteirões abaixo. Os Pereiras, pai e filho, para além de serem proprietários da única loja de Manhattan com um poster do FCP Campeão Europeu de 1987 na parede, têm seguramente a melhor oferta de vinho português dos 5 burroughs.
 
Vem isto a propósito do aniversário de um amigo beirão, em Proença-a-Nova, no passado sábado. O moço organizou bem a coisa: escolheu uma data, escolheu uns 60 e tal convidados, escolheu um restaurante afamado da região do Pinhal e escolheu um porco. Um suíno macho de 74kg à medida do repasto. Um peso galo ou mosca, comparando com a porca de quase de 200kg que o mesmo criador também tinha para abate. Seleccionado o animal, enquanto pastava ao ar livre pela propriedade, marcou-se a matança, à qual o aniversariante também ajudou. Depois pagou e levou-o para o restaurante onde eu já o encontrei a rodar no espeto, o lombo para um lume bem vivo, o olhar perdido no céu imenso da Beira Baixa. E depois o avesso. E assim por diante. E às voltas. Até assar.
 
O almoço durou até às nove da noite. A concertina calou-se quando acabou o porco. E a meia pipa de vinho que também veio lá da adega de casa. O restaurante cobrou o que tinha a cobrar, todos ficaram contentes e o mundo era perfeito não fosse o Benfica ter amargado o fim de festa com aquela pasmaceira frente ao Nacional.
 
Sei que já há restaurantes BYOW em Lisboa. E ainda bem. Muito bem-vindos são. Agora, como retribuição, o que eu gostava mesmo de ver era um leitãozinho, vá, small is beautyful, a sair duma limousine branca rumo a uma mesa fina da Madison Avenue, um restaurante da moda do Soho ou até uma cantina na Mulberry Street. É isso que eu, sinceramente, desejo para a América. É isso e o preto ganhar aquela merda!
publicado por O Escravisauro às 21:41
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