Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2006

Série Mitos Rurais - I

A lenda da multa de B(V)5 a Tó Ceroilo

Desde cedo conhecido por B(V)5, este famoso GNR nasceu perto da famigerada aldeia da Ceoga do Campo e desde cedo mostrou apetência para a manutenção da ordem e uma total fidelidade à lei. Tó Ceroilo, por seu lado, sempre foi um indivíduo prático e fácil de lidar. Devido à proximidade entre as aldeias em que viviam de certeza que cedo se terão conhecido, provavelmente até trocado lambadas e brindado com copos de tinto num qualquer baile de romaria. O tempo passou e tiveram de fazer pela vida. Tó Ceroilo, preso aos laços e lides da família continuou a trabalhar a terra dos antepassados, enquanto B(V)5 decidiu seguir a uma vida diferente dos seus. Quando a tropa apareceu aproveitou e entrou para a GNR. Cedo arranjou maneira de vir para perto de casa e ganhou a alcunha de B ou de V, é difícil perceber pela pronúncia dos locais de qual das consoantes se trata, seguida do número 5. As teses sobre a razão da alcunha são diversas. Há quem diga que era o número do seu cacifo, há quem ligue ao facto de ele pertencer à Brigada nº5, há quem não o conheça por outro nome e nem sabe que apelido tem gravado na lapela.
Ora, as coisas do destino fizeram com que B(V)5 se apaixonasse pela irmã de Tó Ceroilo e se casasse com ela, antes ou depois do início da gravidez. No final dessa mesma gravidez, estavam os irmãos Ceroilos numa das terras da família quando as águas da jovem Ceroila rebentam. Tó, proprietário de uma potente Vespa, nem duas vezes pensou quando montou sua irmã aflita no banco da motoreta e seguiu a toda a velocidade para a sua aldeia de forma a poder chamar uma ambulância que a levasse para a maternidade em Coimbra.
Por essa mesma altura andava B(V)5 em serviço fiscalizando as estradas delegadas ao seu posto, quando vê uma motorizada a alta velocidade com duas pessoas, sendo que a detrás além de vir sentada de lado não trazia capacete. Imediatamente se preparou para parar a viatura e lhe aplicar a coima em conformidade com as transgressões que apresentava. Conhecido por multar compulsivamente automóveis estacionados em estradas rurais, imediatamente tirou o livro para autuar os faltosos cidadãos e sacou da esferográfica.
Reza a lenda que multou o cunhado e a sua esposa grávida prestes a dar à luz. Como acabou a história, se ele foi pai ou não, se o filho era seu, se o Ceroilo pagou ou não a multa, isso não consegui apurar com toda a certeza. Mas que os multou isso é certo e ninguém se esquecerá por estas zonas da lenda do B(V)5, o GNR implacável que multou o cunhado e a sua própria esposa a caminho da maternidade.
publicado por Manuel Padilha às 12:50
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