Sábado, 28 de Janeiro de 2006

Rock Persistente - os DRR #1

Em Maio de 98 surge o que parecia ser a primeira grande oportunidade. Concerto na Semana Académica de Lisboa, no dia em que por lá tocariam também os dEUS. Entre esta gente e por esta altura ouvia-se em quase permanência três álbuns. Ok Computer de Radiohead, Circuladô ao vivo de Caetano Veloso e o In a Bar Under the Sea dos dEUS. Pessoas de 21 anos como éramos, estávamos convencidos que um concerto num palco escondido na SAL era de facto uma grande oportunidade. E criámos expectativas à altura. Mas nem por isso achámos que havia qualquer necessidade do trabalho sujo de repetição que o ensaio exige. Mas ensaios houve.

Dia de concerto e os músicos dirigem-se entusiasmados para o recinto em Algés. Não me consigo lembrar do check-sound portanto é provável que nem tenha existido, mas do que me lembro foi de ter aparecido durante essa mesma tarde um amigo algarvio do baterista e que tinha anteriormente estado connosco num palco a dar uma mãozinha na percussão. Praticamente todas as pessoas que alguma vez conhecemos deram em algum momento da história da banda uma ajudinha na percussão. Este, no entanto, era diferente. Em primeiro lugar porque era afinador de pianos de profissão, teria cerca de quarenta anos, e andava sempre com uma mala cheia de todo o tipo de instrumentos metálicos de percussão, a maior parte dos quais eu nem sei como se chama. Assim percorria o país, para onde o levavam os pianos. Ferrinhos, cuícas, sinos, badalos, é avançar com nomes. Enfim, achámos que era uma pessoa que só poderia estar connosco em palco, o que não tinha nada de estranho. Estranho era o gajo aceitar. Soubémos ainda por ele que o baterista não viria (aliás, penso que nem voltou a tocar connosco), o que se bem me lembro pouco nos preocupou, até porque estava a chegar a hora de jantar.

Com excepção de um concerto, esta banda respirou sempre confiança exacerbada antes de tocar. Andávamos de queixo bem erguido pela festa, um sorriso nos lábios, e confiantes que era este o dia da descoberta pelo grande público. De tal modo que ao depararmo-nos com o Tom Barman (ou o Rudy Trouvé) dos dEUS, imediatamente lhe explicámos o projecto inovador que poderia estar prestes a ouvir pelas 23 horas e logo ali o convidámos para assistir ao gig. Com o inexplicável entusiasmo das boas pessoas disse que sim senhora, em francês.

É possível que fôssemos doze em cima do palco, mas também é possível que fôssemos mais. Havia um baixo que era eu, as duas guitarras do costume, uma ou duas vozes, percussões várias, um violino, uma guitarra portuguesa, podia haver teclas, e estariam com certeza pessoas em palco que não pretendiam ter qualquer tipo de intervenção. Não estava lá um baterista. O concerto começou como todos os outros até aí, com mais gente em palco que a assistir e duvido que tenhamos acabado a primeira música antes de ter começado a debandada geral. Talvez uma segunda. Houve ainda a tentativa pelo guitarrista de pedir desculpa ao público porque o som estava uma merda, ao que foi imediatamente atendido pelo funcionário que estava ao fundo na mesa: "voltas a dizer essa merda e o concerto acabou!!", gritou ao microfone. Neste momento parte do palco desce, uma outra parte vai ter com o técnico de som, para saber que queria ele dizer com aquilo, a outra que resta tenta tocar qualquer coisa. Havia um rapaz mais novo que nós e que não conhecíamos que parecia atento ainda ao concerto e chegou a demonstrar um ar entusiasmado. Logo que teve oportunidade pediu se alguém podia sair e emprestar a guitarra para que ele tocasse. Depois de devidamente mandado à merda, saímos também nós de palco e fomos beber imperiais ou assim.
publicado por Sérgio às 23:58
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1 comentário:
De batukada a 7 de Fevereiro de 2006 às 15:05
no pitau, vejam bem. comentários...

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