Quarta-feira, 23 de Agosto de 2006

As mesmas trincheiras. Campos opostos. O eterno retorno.

Nota prévia: o anterior debate sobre a questão israelista para mim está encerrado. O que tinha a dizer já o disse e mantenho. Este post prende-se mais com as reviravoltas da História no geral do que com este caso particular.

Estou a ler as Memórias de Adriano da Marguerite Yourcenar. O livro é brilhante e farto em frases que nos fazem parar de ler e começar a pensar no enorme alcance e actualidade do que é lido. Ontem à noite, por exemplo, deparei-me com este parágrafo em que o Imperador Adriano relata as dificuldades sentidas ao combater a guerilha hebraica de Simão Bar Kochba, que de 132 a 135, liderou a Revolta da Judeia contra o ocupante Romano:

"As nossas tropas, com equipamento pesado, os nossos oficiais habituados à formação em quadrado ou em falange de batalhas ordenadas tiveram dificuldade em se adaptar àquela guerra de escaramuças e de surpresas, que mantinha em campo plano e descoberto técnicas de rebelião. Simão, grande homem à sua maneira, tinha dividido os seus guerrilheiros em centenas de esquadras postadas nas cristas das montanhas, emboscadas no fundo de cavernas e de pedreiras abandonadas, escondidos em casa dos habitantes nos bairros mais populosos das cidades. (…) Aquele inimigo inacessível podia ser exterminado, mas não vencido (…). Os camponeses fanatizados ou aterrorizados por Simão fizeram, desde o principio, causa comum com os zelotes: cada rochedo tornou-se um bastião, cada vinhedo uma trincheira…"

A eventual e sangrenta derrota de Bar Kochba frente às legiões romanas marcou o inicio da grande diáspora judaica que se manteve até ao século XX. Jerusálem foi arrasada, os judeus proibidos de lá habitarem e Adriano rebaptizou a Judeia, em nome dos filisteus, os arqui-inimigos de Israel,como provincia da Palestina.

Na página anterior àquele páragrafo, Adriano lamentava-se das muitas perdas sofridas na Judeia, constatando que "em todos os combates entre o fanatismo e o senso comum, este último raramente vence".O bom senso, claro, estava do seu lado. Como estará sempre, à direita de Deus, na perspectiva estreita de quem combate e, sobretudo, de quem sai vitorioso.
publicado por O Escravisauro às 13:23
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