Terça-feira, 15 de Agosto de 2006

O erro e como resolvê-lo.

Iniciou ontem às 6 horas da madrugada locais um cessar-fogo sobre a guerra mais estúpida de que me lembro. E Israel perdeu. Mesmo tendo sofrido menos baixas. Mesmo tendo conquistado terreno ao inimigo. Perdeu o único resquício de uma suposta superioridade moral em relação aos seus opositores: o facto de nunca antes o estado hebraico haver iniciado um conflito militar sem que o fizesse em legitima defesa. Foi nitidamente o caso na Guerra Israelo-árabe de 48, foi discutivelmente o caso na Guerra dos Seis Dias de 67, foi nitidamente o caso na Guerra do Yom Kippur de 73. Não foi indiscutivelmente o caso desta feita. A História não se deixará enganar pela desculpa esfarrapada dos dois soldados sequestrados.

Israel perdeu também no plano estritamente militar. Porquê? É indubitável: o exército judeu não atingiu os seus objectivos. Isto é uma derrota. Uma pesada derrota da afamada eficácia israelita, do seu calculismo, da sua estratégia veloz e incisiva. Nunca na História militar um exército convencional derrotou um movimento de guerrilha. Israel também não soube operar a excepção à regra.

Esta guerra estúpida veio assim reforçar uma convicção à qual cheguei já faz muito tempo, que me parece ser óbvia mas que não leio nem ouço ser dita nem escrita, não respectivamente: a criação do Estado de Israel em 1948 pelas então recém-criadas Nações Unidas foi um ERRO. Um erro monumental que se seguiu a um erro pouco mais pequeno: a Declaração Balfour do Ministro dos Negócios Estrangeiros britânico que, em 1919, avalizou as pretensões estaduais do movimento sionista. Repito: tudo isto foi um ERRO. E um erro com quase sessenta anos não deixa, por isso, de ser um erro. Nem a suas sucessivas emendas piores que o soneto.

Só há uma solução para um erro realmente grave e irreparável: é desfazê-lo. O que no presente caso equivale às Nações Unidas anularem a resolução que criou o actual Estado de Israel e transferi-lo para um outro local menos habitado, menos conflituoso, menos problemático, menos árido. Os Estados Unidos são tão grandes. O Wyoming tem 3 vezes o tamanho de Portugal e só tem 500.000 habitantes. Israel e o Líbano juntos têm a dimensão do Alentejo e perfazem no conjunto 12 milhões de pessoas. O Wyoming tem pradarias e búfalos a perder de vista. A palestina é a desolação de recursos que conhecemos. Não há argumentação histórica que justifique tamanha insensatez. O regresso a Sião foi um capricho incalculado. Repito, um erro.

Se acham que continua a justificar-se uma pátria neste mundo onde a religião de estado seja o judaísmo, quando a tendência global é justamente a laicização das instituições políticas e quando tanto se critica os outros regimes teocráticos vigentes no médio oriente, pelo menos tirem-na daí. Sei que a mudança não será fácil mas, para quem anda há 2000 anos calcorreando o mundo à procura de paz e nestes últimos sessenta definitivamente não a encontrou, será decerto a coisa mais sensata a fazer. Não existe ponta de anti-semitismo nisto que digo. Como diz o povo, quem te aconselha teu amigo é.
publicado por O Escravisauro às 19:26
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