Sexta-feira, 28 de Outubro de 2005

Swing Gum

Suspeitava que era desta que voltavas a escrever qualquer coisa. Não era sem tempo, e até me sinto mais confortável se formos dois a alternar posts que ninguém quer ler com as pedradas que o Comboio e o Proletário vão atirando ao Cavaco. Não há maneira de andar por estes caminhos com passos seguros e tens muita razão quando apontas os tais senhores dos apelidos Bruckner, Mahler, Liszt, Schumann. Quando fazemos o elogio de um estilo, e a tentativa de enquadramento, daremos sempre a entender que desdenhamos os que o conduziram a essa evolução, mas tal não é o caso. É claro que nem toda a Europa tocava a três tempos no século XIX, mas não é menos verdade que quase toda tocava, e não só Viena. E nem só na Europa. As valsas e derivados pegaram e devem ter sido a grande musica popular do período. Nos EUA então pouco mais se devia ouvir. Mas eu tinha falado na Europa, certo.

Ainda que o desenvolvimento de compassos compostos seja sobretudo obra de europeus (no jazz poucas vezes se saiu do quaternário simples) estou convencido que, em todos os momentos em que se assistiu a uma maior complexidade do ritmo, ela se deu por necessidades impostas por melodias mais exigentes, e sempre através de uma bem regulamentada divisão de tempos mais simples em estruturas mais difíceis, como confirmaste. Continua no entanto a ser um espartilho e era por aí que queria ir. A reacção a regras tão rígidas quanto algo limitadas, terá levado a um exagero da síncope, do off-beat e da divisão irregular do compasso no jazz, samba, tango, bossa-nova, rumba, e pelo resto da América fora. É de louvar, vá. Sendo ainda que, nos casos que conheço um pouco melhor, jazz e bossa-nova, não se vingaram na harmonia, antes pelo contrário.

Claro que o Mozart swinga. Se até a música militar swinga, havia o Mozart de ser diferente. Mas desta vez, só desta vez, o mérito é do intérprete e não do compositor. Os Modern Jazz Quartet passaram a vida a swingar Bach, pelo que, sim, está lá o balanço na partitura, mas, não, ninguém nem o Bach, quer-me parecer, o usavam. De qualquer modo, prometo que na próxima vez serei mais cuidadoso com afirmações absolutas, mas reconhecerás que de outra maneira eu ficava com um ar muito menos credível. Desta vez lá estarei nos Ricercare, a propósito. Mas naquele à pala, pode ser?
publicado por Sérgio às 19:43
link do post | comentar

Pesquisar

coisos

Arquivos

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

blogs SAPO