Quarta-feira, 28 de Junho de 2006

Todo e Partes

As partes e o todo são instrumentos muito confortáveis para analisar praticamente tudo, e no futebol então poder-se-ia fazer capas de jornais desportivos durante anos. Penso que somos neste momento uma equipa com um todo bastante melhor que as partes, e ainda que isso custe um pouco, o fenómeno deve-se exclusivamente ao Scolari. Passámos uma História inteira com grandes jogadores que passavam ao lado de carreiras ainda maiores, mas pela primeira vez cá estamos nós, com apuramentos certinhos, bons campeonatos, sobretudo fazendo o que se pode, o que não é nada mau. É provável que o Scolari seja o melhor treinador para Mundiais e Europeus que alguma vez existiu, temo bem, melhor que o Mourinho, embora isso só se venha a provar daqui por uns anos. Curiosamente, se há pessoa que fale das vantagens do todo em relação às partes é precisamente o Mourinho, que ainda hoje deve estar a remoer como raio consegue o Scolari tanto com tão pouco aparente trabalho.

Equipas há, claro, que nem partes nem todo (Angola, Trinidad, toda a Ásia), outras com um todo bastante razoável (nós, Espanha, Holanda), outras com óptimas partes e nenhum todo (Brasil, Inglaterra, França) e outras como a Argentina, que ainda não sei. Partes e Todo num só, lembro-me assim de repente da França de 98 e provavelmente o Brasil de 70, de 82. Ganhar exclusivamente com partes parece-me extremamente difícil (embora a Argentina em 86 tenha ganho com apenas uma parte), e é por isso que estou até bastante confiante para o jogo com a Inglaterra, porque sendo verdade que Inglaterra tem melhores jogadores que em 2004 e nós piores, parece-me ser o cabo dos trabalhos ganhar a esta equipa de Portugal. Por outro lado, penso que o melhor que podia acontecer a este mundial era o Brasil e Portugal se encontrarem algures. É que até aqui ainda ninguém obrigou Portugal a jogar futebol (sim, nós agora sabemos o que é preciso fazer para ganhar jogos sem precisar de jogar demasiado). Aliás, penso que todas as equipas europeias foram por aí este ano (o Brasil desde 94 que é uma equipa europeia), e ainda bem, porque estão uns quartos-de-final muito jeitosinhos, sobretudo se comparados com os de 2002 que metiam dó.

A Itália, essa, viu-se destronada no cinismo e portanto foi obrigada a ir a níveis nunca antes vistos, continuando-se a assumir como a equipa mais filha-da-puta do mundo (é mentira, que a Itália até tem atacado bastante, e ninguém tem culpa de ter uma defesa difícil, e porque um gamanço que acontece no último minuto não é gamanço mais grave que um que aconteça ao dez, vamos lá deixá-los em paz). Resumindo, lamento muito que os campeonatos estejam mais calculistas, que deixe de haver tantas surpresas, que o todo seja tão importante e tudo, mas o futebol agora é assim e se querem 32 equipas e o mundo inteiro a participar, têm que se sujeitar a que as equipas mais maltratadas ao longo de épocas com campeonatos de 20 equipas e ligas dos campeões e apuramentos de selecções gigantescos, se tornem mais cínicas e menos espectaculares. E por isso é que estão nos quartos (tirando uma ou outra que ainda podiam estar) as melhores equipas do Mundial.
publicado por Sérgio às 11:55
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