Segunda-feira, 25 de Junho de 2007

Uma barragem no progresso.

O nosso querido Ministro das Obras Públicas prometeu construir cinco novas barragens nos próximos anos e a EDP adorou a ideia.
Os rios em Portugal perdem caudal anualmente e existem fortes apoios da U.E. para exploração de energias alternativas abundantes em Portugal, mas o poder do cimento e as amizades antigas com as companhias monopolizadoras da energia em Portugal ainda é mais forte.
Para ajudar não há em Portugal ecologistas sérios e com tempo de antena para apontarem o dedo a tal decisão do ministro. As barragens são construções perigosas e ultrapassadas mas pelos vistos os governos P.S., repletos de engenheiros e empreiteiros gosta de apostar nestas coisas.
Agora é esperar que arqueólogos da oposição encontrem gravuras rupestres
nas margens dos rios em questão, rezar para que a comunicação social decida rever as barbaridades que o Alqueva provocou às populações locais e contabilizar as perdas a longo prazo que uma barragem representa para um país.
publicado por Manuel Padilha às 02:55
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10 comentários:
De Anónimo a 28 de Junho de 2007 às 14:54
aqui em cima falou o maradona. obrigado.

maradona
De Anónimo a 28 de Junho de 2007 às 14:53
Ainda que - ou talvez por isso - não alcançando a ironia siltosa do manuel padilha, para quem não gosta de barragens está disponivel na FNAC, neste preciso momento, um fabuloso livro: "When the rivers run dry", de Fred Pearce, publicado por uma editora que não é a penguin nem a vintage. O Manuel Padilha vai deliciar-se: é porrada bem dada às barragens do principio ao fim, embora que com cabecinha. acabei de le-lo ontem. é de cortar a respiração. ah, também tem a vantagem de dar porrada nos israelitas. muito bom mesmo.
De Manuel Padilha a 28 de Junho de 2007 às 14:34
Maradona e Proletário,

Antes de mais um pá!, para os dois. Tenho de confessar que não sou ambientalista, na semana passada até mandei em Monsanto uma beata pela janela do carro com esperança que aquilo pegasse. Depois também não estou propriamente preocupado com o poder, afinal, pá, nem sei onde ele está nem me chateia assim tanto. Concordo que as ventoinhas me agradam. Gosto de ver aquilo a girar, girar, girar, pá! Em Montezinho talvez não ficasse assim bem por aí além, mas os gajos lá da zona estão queimados com barragens por causa do que aconteceu na vizinha Sanábria no tempo do compadre Franco.
Há outra coisa que desgosto nas barragens: As lampreias não conseguem saltar aquilo. E olhem que uma lampreia gosta mesmo de subir os rios e eu gosto mesmo que ela suba. Isto sem querer ser ambientalista, apenas pensando no arrozinho.
Ainda assim, pá, com os interesses da energia solar, eólica, marés, cimento, EDP e afins posso eu bem. Afinal se a energia começar a ficar muito cara faço uma puxada de uma central nuclear russa deteriorada, penduro bolas de espelhos por toda a casa e faço uma petiscada com peixinhos do rio. Se a água deixar de ser potável é da maneira que passo só a beber cerveja. Prontos, pá!
De proletario a 27 de Junho de 2007 às 19:23
Sem querer fazer do estimado Padilha um saco de boxe, mas, inevitavelmente, fazendo, acho graça a essa sua graduação do inimigo espanhol. Quando vai ao norte, regressa dizer maravilhas. Se os da Andaluzia se metem a fazer legítimos investimentos no Alentejo, o senhor encarna um Salazar fora de moda e reclama-se um defensor do "orgulhosamente sós". Isso é algum problema geográfico?
A rede de irrigação do Alqueva ainda está longe de estar concluída e não serve agricultores espanhóis, serve agricultores que se queiram dedicar à agricultura, coisa que não depende da nacionalidade, como julgo que você sabe.
As suas inflamadas palavras quase fazem sugerir que o senhor deseja mesmo que o Alqueva se transforme num lago de águas putrefactas, rodeado de restaurantes falidos e hotéis abandonados. Quero acreditar que não é esse o caso. Mas para quem queria que o gado tivesse livre acesso à albufeira, noto aí uma certa contradição. Não se preocupe, que há ali tanta água que seria preciso uma seca muito prolongada para se chegar a esse estado. Mas reze...
De Anónimo a 27 de Junho de 2007 às 16:40
Doutor Manuel Padilha, oh pá, meu:

A liberdade que tomou ao atribuir-me supostas preferências, tomo eu de volta ao identifica-lo desde já como pertencente à estirpe dos ambientalistas que pior fizeram à defesa dos valores naturais em POrtugal.

Não percebes, pá, que há situações em que uma barragem é preferivel a torres eolicas, e que há situações em que ocorre o inverso?

No Paiva ou no Sabor é com certeza um crime fazer uma barragem (e esperemos que Comissão Europeia chumbe a do Sabor). Mas, e no douro ou no Zezere, onde os valores biológicos estão largamente destruidos, não seria boa onda preservar a paisagem e diminuir o impacto na avifauna, nomeadamente trocando um campo eolico por mais uma barragemzita?

POr exemplo: existe agora uma luta infernal, e plenamente justificada, pelos mastodontes eolico que querem enviar no parque natural de montezinho.... não seria inteligente o careca da Quercus abdicar deste ou daquele valor para preservar um maior, como a integridade de um parque natural inestimavel como Montezinho? É que sem essa troca, em vez de se defender tudo, só nos espera a derrota total.

Vejo em pessoas como o Manuel Padilha um unico interesse: a luta contra o poder (das cimenteiras, das construtoras, do grande capital, etc). Não é propriamente a ecologia ou o ambiente que os move, mas a luta contra o "grande interesse". É um azar que têm os ultimos espaços selvagens e a integridade e continuidade ecologica que resta a portugal, a de ter pessoas como manuel padilha como voz.

PS: é curioso que o manuel padilha não descubra "interesses" capitalistas na energia eolica... http://www.gamesa.es/index.php/es

maradona
De Manuel Padilha a 27 de Junho de 2007 às 13:12
Aproveito para responder aos dois.

O Alentejo que lucrou do facto da albufeira ter ali aparecido é vizinho do mesmo Alentejo que viu a água do mar substituir a do rio Guadiana e destruir as várias culturas ribeirinhas. Como saberão a rede de irrigação é limitada e acabou por favorecer os amigos espanhóis que foram salvar a nação a plantar oliveiras e criar o porco preto. Se não fossem eles nunca teríamos azeite nem comeríamos febras das boas. Há também outra questão, que ainda não se passou no Alqueva mas que é comum nas barragens, principalmente quando há tempo quente (o que sucede com facilidade no Alentejo) e que deriva da água estagnada das barragens ganhar vida e deixar de ser potável. Ora o cheiro pútrido da água e restaurantes encerrados é das melhores coisas para o Turismo, quanto mais o de qualidade.

Quanto às energias alternativas, referia-me à energia solar, do vento, das marés. Aposto que o senhor prefere uma boa barragem a um moinho de vento gigante, é uma chatice porque faz sombra e mexe-se muito, e mesmo a energia solar talvez lhe faça impressão o reflexo quando viaja no seu helicóptero, mas acredite que é menos prejudicial para o resto do povo.
De Anónimo a 27 de Junho de 2007 às 00:59
Gostaria que o manuel padilha explicasse e justificasse a seguinte afirmação:

"Os rios em Portugal perdem caudal anualmente e existem fortes apoios da U.E. para exploração de energias alternativas abundantes em Portugal,"

Não percebo muito bem a frase, e o bocadinho que percebo não encaixa com o resto da argumentação. Por exemplo: o que é, para o manuel padilha, uma "energia alternativa"? É o mesmo que uma energia renovável? Se sim, que energias "alternativas" existem "em abundancia em Portugal" para além da hidroelectrica, e, já agora, dê preferência às que agridem menos os valores naturais que a construção de barragens.

obrigado
maradona
De proletario a 26 de Junho de 2007 às 15:03
O meu amigo obriga-me a fazer o papel de mau da fita. Pode ficar você com a fama de cidadão de consciência ecológica e eu de vendido ao capital, mas tentarei puxar a verdade dos factos um bocadinho mais para este lado, se não se importa.
Comecemos por esses "terríveis" espanhóis que andam a comprar terras à volta do Alqueva (essa dos 90% deve ser para rir mas nem vou entrar por aí), a plantar olivais e laranjais, a criar porco preto, imagine-se, a dar empregos para os alentejanos. É gente sem vergonha na cara. Melhor seria deixar as terras abandonadas aos agricultores portugueses que preferem semear subsídios e colher agro-ambientais.
É verdade que há problemas com a água dos animais. É verdade que os animais não podem beber directamente da albufeira. É verdade que essa medida se deve à manutenção da qualidade da água. E então? Preferia uma albufeira coberta de excrementos?
Quanto ao valor arqueológico da zona, não discuto. Perdeu-se muito. Mas sei que foi tudo estudado e inventariado antes da barragem ser enchida. Sei que se não se tivesse avançado para a construção da barragem nunca se teria feito um levantamento arqueológico exaustivo daquela região.
Apesar disso, sou dos que acham que Alqueva é e será uma mais valia para o Alentejo. Se o projecto de irrigação for feito, haverá água para novas culturas que impeçam a desertificação. Porque a albufeira criou um lago lindíssimo, que pode trazer turismo de qualidade para a região.
De Manuel Padilha a 26 de Junho de 2007 às 01:31
As barbaridades são diversas e o senhor terá faculdades para as investigar, mas posso deixar aqui umas quantas para que não pense que estou simplesmente a mandar vir sem razão. Como saberá cerca de 90% dos terrenos à volta do Alqueva foram comprados por multinacionais espanholas que se dedicam à agricultura, vedando grande parte da extensão do lago aos teimosos locais que não aceitaram vender terrenos. Através dos meios de comunicação soube que houve casos de animais a morrerem de sede devido à impossibilidade dos seus donos de os deixarem beber, pois isso ia estragar a qualidade da água da barragem, e a quota para os pequenos proprietários era demasiado curta para saciar os animais em questão. Ouve também uma aldeia centenária que foi literalmente apagada do mapa e vários locais arqueológicos importantes (recordo que o Guadiana foi intensivamente usado pelos Fenícios e Romanos devido às minas que se situavam nas margens do rio), grande parte deles que ficaram por qualificar devido à pressa da construção. Para acabar, e já que só falamos do Alqueva, recordo que foi um projecto que surgiu do Salazar no seu sonho de transformar o Alentejo no Celeiro de Portugal. Tendo sido abandonado, foi recuperado logo após o 25 de Abril para ser esquecido mais tarde nos governos já pós C.E.E. pelo seu impacto ambiental e elevados custos. E para acabar de vez recordo que a barragem foi feita sobre um falha tectónica que atrasou em várias dezenas de meses a obra e a fez custar bastante mais do que tinha sido calculado. Testemunhos relatavam que o cimento desaparecia e chegaram a pensar mudar de local.
Espero ter sido suficientemente claro.
De proletario a 25 de Junho de 2007 às 22:16
O meu amigo importa-se de explicar melhor o que são "as barbaridades que o Alqueva provocou às populações locais"? Já agora, faça-o enquanto vai à sua torneira buscar um copinho de água da barragem de Castelo de Bode, essa obra do mafarrico...

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