Terça-feira, 5 de Setembro de 2006

Baratas no carrossel

Tenho baratas em casa. Daquelas enormes, que voam e nos olham nos olhos com atrevimento e superioridade. Felizmente são tímidas e aparecem raramente perto da cozinha. Sei que adoram o meu caixote do lixo e por isso quase sempre levo comigo o saco dos meus desperdícios quando saio de casa. Ontem voltei a ter um encontro imediato com mais uma gigante da espécie que aqui vou relatar da melhor maneira que sei e posso.
Estava eu a tratar das minhas plantas e ponho no balde do lixo um saco de papel onde tinha posto um outro saco de plástico onde estava a terra fertilizada que adicionei às plantas. Depois do trabalho feito vou ao saco de papel colocar mais papel de jornal para levar à reciclagem e encontro uma enorme barata a vasculhar dentro do saco de papel. Com uma atitude digna de um espião com licença para matar, dou um salto para trás, espalho folhas de jornal por toda a cozinha e agarro com uma só mão o saco de papel onde a barata se passeava. Nessa altura o saco de plástico com restos de terra solta-se pelo chão da cozinha, sujando ainda mais o cenário de guerra e por pouco a barata não foge da sua prisão de papel. Enojado e preparado para agir depressa pego no saco de papel e atiro-o para a sanita. Nessa altura vejo a barata a tentar fugir do saco e dou-lhe um sopapo com a vassoura que estava à mão. No segundo seguinte puxo o autoclismo e vejo a barata e o saco a rodopiar num carrossel aquático digno de fazer parte de um filme do Cousteau. Obviamente a sanita entupiu com o saco e a barata só por sorte (minha) fica debaixo do monte de papel. O passo seguinte é pegar na vassoura e empurrar papel e barata pelo cano abaixo. Como a vassoura serve para varrer e não para empurrar sacos pela sanita, a água vai subindo até chegar à borda da retrete, nesta altura já com um aspecto imundo. Volto a pensar depressa e desencaixo o pau da vassoura para empurrar de novo aquela porcaria toda directamente para o esgoto. Devo dizer que temi que a barata se agarrasse ao pau e me surpreendesse com um movimento rápido comum às baratas com amor à vida. Felizmente não aconteceu tal coisa mas a sanita também não se desentupiu de imediato. Peguei num produto desentupidor e mandei uma dose considerável lá para dentro. Aí imaginei a barata a desintegrar-se em mil bocados e pensei que já podia dormir mais descansado. Ainda considerei alojar-me no hotel mais próximo mas depois lembrei-me que talvez não fizesse sentido pagar 190€ por causa do bicho.
Quando acordei de manhã fui espreitar a sanita, sempre receoso que a barata me saltasse em cima, agarrada a uma corda e gritando "ao ataque". Não aconteceu. No momento que escrevo imagino que elas se estão a organizar para me conquistar a casa de vez e me atirarem pela sanita abaixo. Como sou bem maior que elas e tenho mais poder de compra vou adquirir uma caixa de desentupidor industrial e mostrar-lhes quem manda aqui.
publicado por Manuel Padilha às 17:07
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