Quarta-feira, 29 de Março de 2006

Santos da casa...

Serei eu o único a considerar obsceno que:

- A Santa Casa da Misericórdia seja um dos maiores investidores nacionais em publicidade?

- A Santa Casa da Misericórdia gaste quase tanto dinheiro em publicidade aos seus jogos como as empresas de telemóveis aos seus novos modelos e que só na campanha do Euromilhões/Lisboa-Dakar se tenham gasto 1,5 milhões de euros para beneficio sabe-se lá de quem?

- A Santa Casa da Misericórdia tenha o exclusivo dos chamados jogos sociais (jogos de azar extra-casino), não tenha concorrentes directos ou indirectos, e continue a aliciar insistentemente os portugueses para a dose semanal de Euromilhões, Totoloto ou qualquer outro dos seus boletins alucinogénicos de fortuna instantânea?

- A Santa Casa Misericórdia, uma instituição de caridade de inspiração cristã, instigue através das suas publicidades na mente dos portugueses um verdadeiro culto do dinheiro, da sua acumulação fácil e provedora de todas as benesses e “excentricidades” afastando-se total e hereticamente da mensagem de Cristo e da doutrina social da Igreja?

- A Santa Casa da Misericórdia promova actualmente uma campanha massiva onde vaidosamente ostenta por todos os meios, modos e feitios a sua altruísta acção benfazeja?

- A Santa Casa da Misericórdia não pratique a santíssima virtude da humildade de fazer o bem sem olhar a quem (nem enfiar-lhe pelos olhos dentro) mas antes caia em tentação, pagando e bem para ostentar em grandes outdoors o pecado mortal da soberba?

- A Santa Casa da Misericórdia gaste em reclames milhões de euros que seriam melhor aplicados naquilo que justamente os reclames "reclamam" fazer?

- A Santa Casa da Misericórdia tenha completamente ultrapassado o que prevêem os seus estatutos e objecto social, uma vez que é manifesto que o dinheiro acumulado com os jogos de azar deixou de ser um meio para atingir um fim mas um ganancioso fim em si mesmo?

- A Santa Casa da Misericórdia seja um dos maiores (senão, o maior) proprietário imobiliário em Portugal, fruto das doações testamentárias, sendo que grande parte do património está em total decadência ou mesmo devoluto e não aliene estes imóveis para custear as suas acções beneméritas em lugar de roubar todas as semanas os bolsos dos portugueses vendendo-lhes ilusões?

Mais que obsceno, tudo isto roça o diabólico! Pois, ou muito me engano e alguém me perdoe esta ofensa se estiver errado ou eles sabem o que fazem.
publicado por O Escravisauro às 13:39
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3 comentários:
De O Escravisauro a 11 de Abril de 2006 às 11:52
Obrigado pelo contributo. A questão do contencioso devido ao nome é uma novidade interessante e que, para mim, faz todo o sentido.
Que a SCML pertencia ao Estado já eu sabia e por isso apenas disse e reafirmo que se tratava de uma instituição "de inspiração cristã". Não sou eu que o digo, aliás, é a própria SCML no seu site e nos seus estatutos:

"Durante os anos 80, iniciaram-se os trabalhos de reforma dos Estatutos da Misericórdia de Lisboa, que vieram a ser aprovados pelo Decreto-Lei n. 322/91, de 26 de Agosto, o qual veio a ser alterado pelo Decreto-Lei n. 469/99, de 6 de Novembro. No art. 2º dos Estatutos estabelece-se que a Instituição prossegue humanitária e benemeremente fins de acção social, de prestação de cuidados de saúde, de educação e cultura e de promoção da qualidade de vida, sobretudo em proveito dos mais desprotegidos, de acordo com a tradição cristã do seu compromisso originário e da sua secular actuação em prol da comunidade, devendo dar particular ênfase às obras de misericórdia (...)".
(http://www.scml.pt/default.asp?site=historia&sub=)

A principal questão que pretendo evidenciar é justamente esta grande mentira. É o lobo na pele de cordeiro. A fachada "cristã" e boa samaritana da SCML é, em grande medida, uma fraude que urge desmascarar.
De Nova Evangelização a 10 de Abril de 2006 às 19:00
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que é quem tem a concessão dos jogos sociais, totoloto, lotaria, etc., não tem inspiração cristã.
Pertence ao estado que a nacionalizou em tempos.
Há um contencioso com as restantes misericordias por causa do estado usar esse nome.

É o estado quem nomeia os dirigentes e em ultima analise quem administra a misericordia de Lisboa.

As restantes misericordias do pais estão ligadas à igreja catolica embora tenham bastante autonomia em relação à hierarquia.

António Maria
De Nuno Barreto a 29 de Março de 2006 às 21:37
Ora aí está. Para praticar aquilo que a Bíblia diz (ajudar os outros), violam outros mandamentos.

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