Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

Para algo sério, Alcântara e os contentores

Escrevo pouco, ninguém vai ler mas apetece-me escrever sobre algo sério. Os com pouca paciência sigam directamente para o post seguinte sem passar nas linhas abaixo.

 

Escrevo numa dupla qualidade. A primeira é de facto uma qualidade que é o facto de ser de Alcântara. Destaco o “ser” da frase anterior, não vivo em Alcântara como quase o resto do blog, não vivi em Alcântara, sou de Alcântara, sou de um bairro, gosto dele, conheço algumas particularidades da sua gente, conheço o sentir e o viver de um bairro à beira-rio. Antes de haver docas e pista de bicicletas já saltava a linha do comboio para ir pescar caranguejos, já desfrutava do rio.

 

A segunda não será tanto uma qualidade mas mais uma característica. A minha função económica (vulgo emprego) é realizada numa empresa de transporte marítimo de contentores. Aqui dispenso a poesia da coisa, informo só que a minha empresa é responsável por uma grande parte dos contentores que ocupam o terminal de Alcântara. E confesso que gostava que fossem mais (em percentagem do total).

 

É por isso com duplo interesse que acompanho a discussão da extensão da concessão do terminal de contentores de Alcântara. Como nem eu sei bem que posição tenho, vou tentar clarificar alguns pontos ou duvidas existenciais.

 

A questão económica

Não penso que tenha que ser o ponto principal já que julgo que a qualidade de vida tem um preço e podemos estar dispostos a pagá-lo. Contudo, precisamente por isso coloco-a em primeiro lugar, para ver se nos vemos livres dela.

 

Ora parece-me que a maior parte dos intervenientes nesta matéria esqueça a questão económica subjacente à mesma. Quem fala sobre o assunto tem que ser claro sobre se estamos dispostos a assumir o incremento dos custos (e logo do preço do produto final) que qualquer alternativa tem.

 

O transporte marítimo por contentor é, neste momento, a forma mais económica de transporte de bens entre continentes, sendo claramente um factor de contribuição para uma economia globalizada. O mundo consumista que conhecemos hoje não existiria, para o bem e para o mal, sem o contentor e as sociedades são extremamente dependentes do mesmo. Ora, há varias questões a considerar neste assunto, dos quais gostaria de destacar dois factores.

 

O primeiro factor, global, é a falta de capacidade portuária. A matemática é simples. Quanto mais crescer a necessidade de transporte (e o próximo ano nem se espera famoso) mais navios se vão construir e por na água. Essa parte é fácil. O problema será a falta de capacidade portuária. As estimativas não são famosas, já que o transporte contentorizado é exigente a nível de área e é normal que as cidades cresçam à volta dos terminais, limitando os mesmos. Neste momento, há na Europa (Valencia, Algeciras, Rotterdam, Hamburgo) projectos de expansão de terminais que passam quase todos pela conquista de terra ao mar por pura necessidade e falta de alternativa.

 

Depois, localmente, destaca-se a falta de infra-estrutura de apoio ao transporte que existe em Portugal. O desenvolvimento de portos secos ou interiores raia o ridículo, não existe uma estrutura ferroviária decente e o transporte rodoviário é do mais sobrecarregado que existe a nível europeu. Se for preciso, um camião em Lisboa custa menos que um camião em Madrid, mesmo tendo em conta o preço da gasolina!

 

Ou seja, mesmo para um pseudo-comunista como eu temos dois factores que contribuem para uma futura falta de oferta em caso de aumento de procura. Se bem me lembro das aulas de Economia (que tenho bem frescas por tê-las repetido várias vezes) isso conduz ao aumento de preços.

 

Resumindo a questão económica, a pergunta é simples. Numa economia a crescer (seja por puro crescimento da população, seja por crescimento económico ou da globalização), qualquer aumento do custo de transporte conduz a um aumento do preço. Queremos pagá-lo?

 

A questão social

 

Aqui também é fácil. Sou alcantarense. Já pesquei no Tejo. Curto o Tejo. Agora, a frente ribeirinha tem não sei quantos quilómetros. A zona ribeirinha é tão frequentada que a zona mais aberta (em frente à antiga FIL) deve continuar a ser um dos melhores sítios para ir dar umas quecas a noite porque não anda lá ninguém. Honestamente, não acho que aqueles 1,500 metros façam falta. Aparte, faz parte de um rio/mar ter um porto. Os contentores até são bonitos.

 

A polémica sobre a vista é a mesma coisa. Um terminal só põe contentores a 5 de alto (como ouvi dizer) se for obrigado por necessidades operacionais. Quantos mais contentores estiverem acumulados mais difícil (e cara) é a remoção dos mesmos, pelo qual a vista não vai aumentar nem diminuir, já que a expansão é em área e não em altura.

 

Finalmente, quero destacar que falamos de um “beco sem saída” já que o extremo nascente do terminal não tem saída devido a entrada da Doca de Alcântara.

 

Há duas questões sociais importantes. Chamam-se Gare Marítima de Alcântara e Gare Marítima da Rocha Conde de Óbidos. São dois edifícios emblemáticos que não acho que alguém gostasse de ver rodeado de contentores. Nos sítios normais que conheço, num funcionaria a capitania e noutro a administração do Porto ou a Alfândega (para dar uns exemplos) ou seja, de entidades ligadas ao mar. Mas estão para, lá vazios.

 

Na questão social, deixo uma pergunta. Que incomoda mais? Os contentores ou a linha de Cascais da CP?

 

A questão politica

 

Aqui, irrita-me a ignorância. Ponto prévio. Acho asquerosa a promiscuidade político-empresarial que existe em Portugal e determinado afastamento pessoal da politica não é alheio a esta e outras asquerosidades.

 

Agora, alguns factos. A Mota-Engil, para quem não sabe, é não só a proprietária da empresa Liscont (que gere o terminal de Alcântara) mas também do outro terminal de Lisboa (Sotagus), do terminal de Leixões (TCL) e do terminal de Setúbal. Ou seja, ironicamente e sem que ninguém fale nisso a Mota-Engil detém o quase monopólio dos terminais de contentores em Portugal.

 

A única excepção é Sines mas até aí a história é estranha. Julgo que há uns anos o amigo Proletário ate escreveu um texto para o seu antigo empregador sobre a forma da concessão do Terminal XXI a empresa PSA (Ports of Singapure). Também não deixaria de ser interessante perguntar quem está a pagar o transporte até Lisboa dos contentores actualmente descarregados em Sines.

 

Ou seja, imaginando que a Mota-Engil ganha por contentor (e é assim que funciona) é-lhe um bocado indiferente onde é carregado ou descarregado esse contentor. Que seja em Setúbal, se fizer falta.

 

Não me queria alongar muito mais num texto de blogue por isso concluo com as duas hipóteses a meu ver viáveis, deixando de lado questões técnicas (capacidade de atracação, por exemplo).

 

Das duas uma:

A primeira, chamemos-lhe o mundo ideal. No mundo ideal, Portugal tem uma estratégia marítimo-portuária decente. Ou indecente. Enfim, uma qualquer. Os portos portugueses concorrem com os restantes portos europeus para transbordo de contentores para África ou América do Sul, gerando receitas para o país a nível de taxas portuárias, empregos criados, etc. Há um investimento público em zonas de atracação, dragagem, capacidade rodoviária e ferroviária, gestão alfandegária, inspecção. Nesse sentido, o pais decide tirar a grande maioria da sua actividade Portuária do centro histórico da cidade e investir num grande porto, que sirva para a recepção dos produtos destinados ao Mercado interno e para transbordo de outros contentores, de forma a gerar economias de escala para as linhas de navegação interessadas.

 

Sines é a escolha óbvia mas se calhar ate há outros pontos possíveis ao longo da costa portuguesa. De Sines enviam-se cargas para o norte do Pais por navio e para o centro/sul de comboio, onde existem parques logísticos/portos secos para gestão e distribuição de contentores.

 

Esta é a opção que junta os contentores fora de Lisboa, as oportunidades de negócio que todos querem, a melhor gestão económica e ambiental que se quer para desenvolver o pais. Só precisa de duas coisas: Dinheiro e mentalidade. Não costuma haver nenhuma das duas em Portugal.

 

A segunda opção é a opção possível. Uma opção que não estrangule o crescimento que o país precisa. Uma opção que entenda que trabalho é trabalho e conhaque é conhaque e que há espaço para trabalho e conhaque na zona ribeirinha de Lisboa, o que aliás sempre foi o cartão de visita nos bares do Cais do Sodré. Uma opção que, sabendo que o mundo ideal não existe nem nunca existiu (nem na URSS), o melhor é aproveitar a onda política e exigir uma serie de melhorias que, mantendo a existência de contentores em Alcântara, garanta uma serie de outras utilizações para os restantes espaços. Mas uma opção que não estrangule o crescimento do terminal, do porto, do Pais.

 

Não deixa de ser irónico que o Terminal esteja subutilizado mas eu já fui proibido de entregar contentores por falta de espaço. Não deixa de ser irónico que, quando a Mota-Engil comprou o terminal de Alcântara, a maior parte dos utilizadores pensou que o iam fechar, deslocalizar as operações para Setúbal e construir prédios naquela área.

 

Eu sou irónico. E as vezes penso que é por ser de Alcântara. Que se calhar passei demasiadas vezes no viaduto provisório de Alcântara (o tal que esta lá desde os 60). Porque fui há mais de 10 anos a uma apresentação do Porto de Lisboa, com planos magníficos, que a única coisa que deixou foi uma pala que está debaixo da ponte, porque vejo os condomínios fechados a crescer a torto e a direito, que me irrita agora um bocado o politicamente correcto. E o politicamente correcto manda ser contra os contentores, que são feios, não têm pernas.

 

Só há uma coisa triste. Todos temos ou comprámos ou recebemos ou comemos, bebemos, ouvimos, lemos, usámos no último dia, na última semana, no último mês, uma coisa qualquer que chegou num contentor. Se calhar nenhum de nós esteve no mesmo período de tempo do outro lado da Linha de Cascais, junto ao rio.

 

As duas coisas são possíveis. Mas não a meias-tintas, como sempre. Era bom ver, uma vez, um sim ou sopas.

publicado por Gil Eanes às 21:19

editado por joaovelhote em 31/10/2008 às 08:11
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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

São merdas destas que fazem um gajo sentir-se velho

Nas notícias de hoje do IMDb, apareceu um pequeno apontamento que anunciava "BitTorrent Watchers Downloading Older Movies"; a impressão com que se fica ao ler estas parangonas é a de que a malta da "pirataria" (palavra que agora se aplica a um acto comparável à passagem de cassetes e VHS aos amigos na nossa juventude) agora deu em começar a ver clássicos, se não mesmo filmes "do tempo da maria cachucha".

 

Ora afinal, o que querem dizer com isso é que nesta semana de Outubro os filmes que geraram maior tráfego foram dois lançados nos cinemas em Junho e Julho. "Older movies". Três a quatro meses. "Older".

 

Há também uma conclusão engraçada: No terceiro lugar dos mais descarregados ficou o último Indiana Jones (em si um filme ainda mais "older", possivelmente já pré-histórico), caindo da liderança que ocupava na semana anterior e que "(...)fell to third place, possibly because the DVD had already hit the stores last week".

publicado por Comboio Azul às 23:17
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Pequeno quiz

 

Deixo este pequeno teste à vossa consideração. Gostava de desafiar os meus colegas do blog a colocarem as suas pontuações nos comentários.

 

Eu fiz 24.

publicado por Comboio Azul às 18:39
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Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

I'm amazed

 

Estávamos em casa do camarada Padilha, e a falta de assunto levou-nos ao sempre inevitável caso de eu me pôr a inventar assuntos cujo mérito, reconheço,  é, por vezes, digamos, pouco propositado. Não é, felizmente, o caso de eu pertencer à sábia minoria dos que acham que o Outubro que nos atravessa está estupidamente quente. Pois sobre isto me deu para cogitar, enquanto os grilos grilavam lá fora. 


Aqui faço um parênteses sobre o facto de eu ter nascido numa cidade que, não sendo do campo, estava bem mais perto da Tv Rural do que do Hip Hop. Daí que as criaturas da mãe natureza não são para mim ovnis tão absolutamente estranhos como as galinhas para os petizes da cidade que se iniciam agora na sua vida magalhânica. 

 

Dada esta condição geográfica - indispensável para toda a formulação - ( e olhem que esta é longa e chata e dever ter mais gralhas que a minha paciência para as detectar) tenho como certo que grilos e cigarras cantam no Verão e calam-se no início do Outono. Mandamento este que o presente esfreganço patal e caudal dos impertinentes  insectos vem pôr em causa, demonstrando de forma óbvia e inequívoca que já não há Outono e que a puta da bola azul está mesmo a aquecer como o diaxo.  

 

Mas como sou um homem de honestidade intelectual irrepreensível e tenho plena consciência de que este saber remonta a tempos que não consigo já evocar, fui informar-me a essa argamassa do conhecimento superficial que é a wikipedia, a bendita amiga das respostas prontas na hora.

 

E aí, meus caros, começou o deslumbramento;

 

Inaugurei a pesquisa pela cigarra, e aí está a primeira confirmação da relação entre o calor e a sinfonia dos primos do gafanhoto (desculpem lá mas não há pachorra para links):

 

Average temperature of the natural habitat for this species is approximately 29°C.(84°F). During sound production the temperature of the tymbal muscles were found to be slightly higher.[5] Cicadas like heat and do their most spirited singing during the hotter hours of a summer day.

 

Contente que estava com esta pequena vitória, passei aos grilos, para descobrir de que forma de vida descendeu Mozart - ao contrário da maioria de nós, que derivamos imediatamente do chimpanzé:

 

There are four types of cricket song: The calling song attracts females and repels other males, and is fairly loud. The courting song is used when a female cricket is near, and is a very quiet song. An aggressive song is triggered by chemoreceptors on the antennae that detect the near presence of another male cricket and a copulatory song is produced for a brief period after successful deposition of sperm on the female's eggs

 

Mas não nos detenhamos com parvoíces, o que realmente interessa é isto:

 

Crickets chirp at different rates depending on their species and the temperature of their environment. Most species chirp at higher rates the higher the temperature is (approx. 62 chirps a minute at 13°C in one common species; each species has its own rate). The relationship between temperature and the rate of chirping is known as Dolbear's Law. In fact, according to this law, it is possible to calculate the temperature in Fahrenheit by adding 40 to the number of chirps produced in 15 seconds by the snowy tree cricket common in the United States.[1]

 

 

Para chegar, agora sim acaba-se com isto, à brilhante conclusão de que a forma mais barata e eficaz de controlar os efeitos do efeito de estufa e mais o raio do quentinho e os furacões e o raio que os parta a todos, é pôr uns milhares de grilos encostados a um microfone ligado a um computador melhorzinho que um magalhães que consiga contar o ritmo a que os grilos se esfregam. Três urras ao senhor Dolbear!!!

 

Dolbear's Law states the relationship between the air temperature and the rate at which Snowy Tree Crickets, Oecanthus fultoni, chirp[1]. It was formulated by Amos Dolbear and published in 1897 in an article called The Cricket as a Thermometer. Dolbear expressed the relationship as the following formula which provides a way to estimate the temperature TF in degrees Fahrenheit from the number of chirps per minute N:


T_F = 50 + \left ( \frac{N-40}{4} \right ).

This formula is accurate to within a degree or so when applied to the chirping of the snowy tree cricket.

Note that we can speed up counting by simplifying the formula and counting the number of chirps produced in 15 seconds (N'):


\,T_F = 40 + N'


Reformulated to give the temperature in degrees Celsius, it is:


T_C = 10 + \left ( \frac{N-40}{7} \right ).

The above formulae are expressed in terms of integers in order to make them easier to rememberthey are not intended to be exact.

The chirping of the more common field cricket is not as reliably correlated to temperatureits chirping rate varies depending on other factors such as age and mating success.


publicado por Proletário às 02:19
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Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

O momento é grave

Tenho andado pouco pela blogosfera, pelo que posso dizer com toda a certeza que se tem falado pouco do atentado que o Costa e os seus amigos cometeram no Bairro Alto. O senhor de tez morena e os seus benditos comparsas acham que os bares deve fechar às 2h00. Acham que a polícia deve andar de segway. Acham que os moradores devem ter um kit de limpeza de paredes grafitadas. Acham que as casas de fado não devem abrir à hora de almoço. O problema é que estes senhores, que têm tantas achaduras, mandam na aldeia. O que quer dizer dizer que, a partir de 1 de Novembro, isto será realidade e não apenas ideias lunáticas. O senhor Costa só não explica é para onde é que um gajo vai depois das 2h00. Talvez para Sintra, onde ele tem a sua sossegada vivenda. Não se tem falado o suficiente disto, não tem não...
 

publicado por Proletário às 00:44
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Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

Teoria da Segurança da Estética da Carris (TSEC)

Decidi finalmente aderir ao passe da Carris, Lisboa Viva. Aconselhei-me com os melhores ministros dos transportes públicos, deixei passar 15 dias do início do mês e lá fui eu à única estação onde entregam os cartões na hora a troco de uma taxa de 10€.

Acredito que estão todos à espera que depois deste parágrafo desate a falar mal da Carris, mas não as linhas que se seguem são todas elas elogios e admiração.

Passo ao relato do processo. Quando se pede o cartão Lisboa Viva com urgência (ou é urgente e a recepção é imediata ou sendo o pedido normal demora 10 dias úteis), exclusivo da Estação de Santo Amaro em Alcântara, os requisitos são um documento de identificação (BI, Carta de Condução, etc.), uma fotografia tipo passe e 10€ (1€ por cada dia de pressa). Até agora nada de estrianhio. Depois recolhem os dados do cartão de identificação, pedem a morada actual e um contacto telefónico. Após este procedimento, pegam então na fotografia de passe e colocam-na à frente de uma mini câmera digital, enquadram e fotografam a mesma fotografia, devolvendo-a depois ao futuro utente. Recebem os 10€ e entregam o cartão pronto para ser carregado no guiché (gosto da palavra guiché, soa a uma expressão composta de geek e cliché) na porta ao lado.

Devido a uma curiosidade visceral vi-me obrigado a perguntar porque convertiam a fotografia de passe numa fotografia digital. Disseram-me que eram as ordens que tinham. Perguntei também se no caso da pessoa não ter uma fotografia de passe consigo  eles fotografavam a fotografia do documento de identificação. Respondeu-me que a fotografia de passe é obrigatória.

Devo admitir que fiquei confuso por momentos mas depressa encontrei a luz e descobri a Teoria da Segurança Estética da Carris (TSEC).

Se uma pessoa falsificar um documento de identificação e tentar tirar o passe na Carris com o mesmo, surge-lhe logo o problema da fotografia de passe que tem de apresentar. É que um BI ou Carta de Condução vende-se em qualquer esquina, agora uma fotografia de passe é cada vez mais rara e muito mais bonita. As máquinas automáticas tornadas famosas no filme da Amélie Poulain estão pela hora da morte, as lojas de fotografia estão na falência e todos  sabem que só quem anda com fotografias de passe na carteira é que é gente séria. É preciso também reconhecer que quando se tira o passe na Carris não se está propriamente preparado para ver o seu rosto perpetuado, após horas de espera e empurrões. Já no tempo em que se ia ao fotógrafo, era diferente. Mesmo nas máquinas automáticas havia um espelho onde se estudava a pose e se afinava o sorriso formal da identificação. Aliás essas fotografias são tão raras que a Carris as até devolve aos seus clientes.

Importante também reconhecer o valor da Carris pela coerência. Se por um lado foi obrigada pelos tecnocratas da modernização do país em actualizar os formatos de identificação pessoal, por outro defendeu-se mantendo a versão antiga do processo que inclui a fotografia de passe. Temos de dar valor a uma instituição cujas preocupações ultrapassam em segurança e em estética o registo civil ou os passaportes, progressistas que tiram ali a fotografia no momento, sem respeito pelo penteado, nem consideração pelas olheiras.

Obrigado Carris, tu és o melhor exemplo do nosso Plano Tecnológico.

sinto-me: coiso
música: Bom era conseguir meter fotos sem ter de ter uma conta!
publicado por Manuel Padilha às 12:07
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Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

Possível solução para a crise financeira.

publicado por joaovelhote às 13:01
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Como passar uma lei controversa.

 Emendas (obrigado Escravisauro) ao Plano Paulson - que passou de 3 para mais de 400 páginas -  aprovado ontem pelo congresso:

 

Page 279 — Rum excise tax to Puerto Rico and the Virgin Islands

Page 280 — Mine rescue / mine safety

Page 290 — Motorsports racing track facility

Page 290 — Hurricane Katrina and Gulf opportunity zone

Page 295 — Wool modifications

Page 296 — Permanent authority for undercover operations

Page 297 — Child tax credit

Page 300 — Children and wooden arrows

 

 

 

 

publicado por joaovelhote às 11:44
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