Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2005

Há coisas que irritam

Se este blog tivesse arquivos, este post estava pejado de auto-links. Isto foi um aviso.



Um dia vi o ex-presidente do Nápoles, do tempo em que eram patrocinados pelos chocolates Mars, a responder a uma pergunta idiota sobre o facto de o Maradona não aparecer nos treinos e faltar a estágios e não cumprir diversas regras. Ao que o presidente respondeu qualquer coisa como "ó meu amigo, se o Maradona me dissesse que aparecia nos jogos na condição de eu próprio lhe levar o pequeno-almoço à cama, pode ter a certeza que era o que eu fazia".



Também me irrita, por exemplo, que se fale mal dos livros do Chico Buarque. Se o Chico Buarque quiser, por exemplo, ser um investigador de sismos, depois do que já fez, eu sou o primeiro a conferir-lhe legitimidade.



Será um defeito, mas sinto respeito por quem tem obra, o que equivale a margem de manobra.



Outro exemplo do futebol. Se o Miguel fizer merda num jogo do princípio ao fim eu não me chateio. Se o Nuno Gomes move a cabeça irrita-me. Lá está a margem de manobra.



Estava ali no Chico ainda agora e li a seguinte crónica do Nuno Galopim no DN. Esta. E despeitado, que isto é despeito, resolve que tinha que insultar o Kusturica porque dá concertos. Quero que reparem que não vou entrar por uma legítima via de 'quem é o senhor Nuno Galopim'. Não vou. Mas a coisa em si, foi tão mal feita, que nem teve piada, nem me chegou a convencer. Pelo contrário, discutia eu isto precisamente com o Pereira, há críticas cujos pontos que são utilizados para destruir determinado evento, são precisamente os que nos fizeram gostar do dito. Por exemplo:



"Qualquer tentativa de comparar a música da No Smoking Orchestra de Emir Kusturica à genuína música cigana balcânica que lhe serve de inspiração será o mesmo que tentar encontrar nos Enapá 2000 marcas da identidade das tradições musicais portuguesas."



"Mesmo assim, desconhecendo a música em palco, a multidão não parecia importar-se, e continuava a dançar"



"Um violinista vestido de juiz, um guitarrista que parecia saído dos Scorpions e um vocalista com poses de palhaço"



Ora, precisamente!



E depois lá faz o evidente elogio a Gorán Bregovic, excelente compositor, é certo, brilhante arranjista, é evidente, cujo trabalho é fruto de extensiva recolha, pois com certeza. Também não vou trazer para aqui os podres do Bregovic e o que fez ao folclore da zona.



Mas não entendo o azedume do Galopim. Isso não. Achei mal. Que raio esperava este tipo de uma banda destas? Acho mal sentir rancor pelo Kusturica só porque arranjou uma boa maneira de viajar com os amigos.
publicado por Sérgio às 01:53
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