World Science Festival 2009: Snowball, the Dancing Cockatoo from World Science Festival on Vimeo.
Há duas semanas atrás, Paulo Bento era o mau da fita. Se o Sporting não jogava a ponta de um caralho, claro que o treinador era apontado (e bem) como responsável por isso. Depois o Bento demitiu-se. E então, à boa maneira portuguesa de admirar sempre as vítimas os e coitadinhos, vêm agora quase todos dizer que afinal o Bento até era um gajo espectacular. Bom treinador, um tipo honesto e obviamente injustiçado por nunca lhe terem dado uma equipa à altura.
Pois eu lamento muito, mas prefiro ser coerente. O Bento não é, repito, não é, volto a repetir, não é um bom treinador. O homem que joga sem extremos, que esboça um esquema de meio campo cuja grande virtude é a de os adversário perceberem melhor a função de cada jogador do Sporting em campo do que o próprios jogadores do Sporting e cuja grande ‘surpresa’ em todo e qualquer jogo é meter o Pereirinha aos 15 minutos da segunda parte não pode ser considerado um bom treinador. O nível zero de moral a que esta equipa chegou tem a marca do Bento, até pelas cada vez mais deprimentes conferências de imprensa que o homem dava. E parece que todos se esqueceram dos humores de Bento. Pena que assim seja. Acho que o Beto, Custódio, Stojkovic, Vuckcevic, Miguel Veloso ou o Carlos Martins terão memórias diferentes acerca do senhor.
Não posso também deixar de enviar daqui uma palavra de incentivo ao Bettencourt. É sempre prestigiante falhar a contratação do treinador do clube que é o último classificado no campeonato. Brilhante. Pode ser que o treinador dos pesacadores da Caparica não se importe de vir fazer uma perninha a Alvalade.

Até na paz, os americanos são mais rápidos a disparar
Andam todos muito felizes ali para os lados de Alcochete. De tal forma andam contentes, que até já tecem rasgados elogios aos histéricos pré-epoquianos do costume. Eu gostava muito que eles andassem tristes e que tomassem nota dos seguintes pontos, que até enumero para não se cansarem muito a ler:
1 - O senhor cujo único talento conhecido é ter conquistado os seios de plástico de uma eterna adolescente queridinha da nossa praça não tem lugar em nenhuma equipa de futebol profissional. Como se não bastasse ser uma nulidade como ponta de lança, decidiu agora provar que é o único extremo do campeonato que consegue não conseguir fazer um único cruzamento em 90 minutos. Agradeço a quem o escolheu em vez do Varela, que usa os mesmos penteados ao mesmo tempo e anda a aprender a jogar lá para o Norte
2 - O outro cavalheiro cujo único talento conhecido é ficar em segundo lugar, à frente dos histéricos pré-epoquianos, já chegou ao limite das suas capacidades vai para duas épocas. Pelos vistos, a mediocridade é um posto. Podia era ser um posto noutro clube, que eu ficava muito agradecido.
3 - Já sei que a reacção oficial vai ser dizer que é absolutamente normal levar cinco golos sem resposta nas duas mãos que temos a disputar com os italianos. Pois eu gostava de ressalvar desde já que é absolutamente anormal levar cinco ou seis golos e ainda achar-se que é tudo muito normal.
4 - Nunca vi uma equipa que supostamente quer ganhar um campeonato contratar dois jogadores em todo o Verão. Deve ser absolutamente normal não haver um jogador no campeonato português melhor do que os abades pançudos que se arrastam pelo campo com a camisola às riscas
5 - Vão-se foder
6 -Obrigado e boa noite
Adeus, até ao meu regresso.

"Je suis rentré au pays depuis quatre-vingt putain."
Victor Démé (minuto 1:54)
Este já será o 7º ano que vou a Sines. Ao Festival. Sem falta. Posso ir mais ou menos dias (dois, no mínimo). Mas não falto.
Desta feita e pela primeira vez, fiz uma perninha a Porto Covo. Em jeito de antecipação. Foi uma bela noite de sábado. Antes da ligeira desilusão de ver os Ukranians ao vivo (a principal razão que me levou lá), seguidos do sempre cool mas algo enjoativo afrobeat do senhor Dele Sosimi, a grande descoberta da noite foi mesmo este moço tão desdentado quanto inspirador do Burkina Faso.
Victor Démé está em palco como se estivesse a tocar guitarra no seu quintal. Sozinho (minuto 10:40). Ou bem acompanhado pelos seus vizinhos. Na moleza da tarde africana. Todos à sombra de uma grande mangueira. Ou papaieira. E pela sua voz griot passam embondeiros.
Por acaso, não os vemos passar no início deste belo video. Mas eles estão lá. Nas paisagens que escutámos. Sábado à noite.
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